sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Poesia Contemporânea

Para quem gosta de poesia fica a sugestão do lançamento próximo da obra “ENTRE O SONO E O SONHO” – Antologia de Poetas Contemporâneos, com a chancela da Chiado Editora.
Desta obra fazem parte 3 poemas do Água Leve!

Os direitos de autor vão ser doados à Fundação Santo António Maria Claret, uma fundação com um papel fundamental no apoio à infância, 3.ª idade, e cidadãos portadores de
deficiência.

O livro tem o seu lançamento agendado para Sábado, dia 31 de Janeiro, no bar Onda Jazz, em Alfama, Lisboa.

A Chiado Editora é uma jovem casa de edição, fundada por três escritores, que em pouco mais de dois anos se tornou numa editora de referência no âmbito da criação literária em Portugal. A partir de 2008, a Chiado Editora expandiu a sua linha editorial, acrescentando às colecções já existentes (Viagens na Ficção e Prazeres Poéticos) oito novas colecções: Passos Perdidos, Teatro Brutal, A Contraio Sensu, Mundo Fanstástico, Ecos da História, Sentido Oculto, Orgia Filosófica e Biblioteca Liberal - tornando-se assim numa editora "plural como o Universo". Dentro do grupo editorial detentor da Chiado Editora, uma outra chancela, a Luz das Letras Editores, tem especial vocação para edição de autores portugueses ainda desconhecidos, assim como para a edição de autores estrangeiros pouco divulgados entre nós. Ambas as editoras, no seu conjunto, são uma casa de edição de referência, tanto para leitores como para autores.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Miguel Esteves Cardoso, o “MEC”

Mergulhei na Câmara de Comuns e não resisti a incluir este excerto do João Gomes sobre o MEC, também a propósito da entrevista desta semana à revista Sábado. Com a devida vénia!

“Temos ideias muito diferentes, mas ao mesmo tempo muito iguais. Basta sermos portugueses, perdermos dois minutos a pensarmos sobre Portugal e descobrimos que cada um de nós tem um bocadinho de MEC e mais desconcertante do que isso, descobrimos que o próprio MEC tem um bocadinho de cada português. Lembrarmos a Noite da Má Língua na Sic, o velho Independente, as candidaturas monárquicas do final da década de 80 ao parlamento europeu, a revista Kapa e tudo o resto onde esteve, passou e brilhou Miguel Esteves Cardoso. Isto faz-nos ansiar um regresso. Nunca é tarde.”


Para quem ainda não leu aqui fica um dos mais brilhantes textos do Miguel Esteves Cardoso:

O Elogio do Amor.

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor éa nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso, Expresso.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008


Nasceu um novo projecto

O Portal Lisboa é um novo projecto on-line dedicado à cidade de Lisboa. Nascido a 1 de Setembro, disponibiliza a todos os visitantes e residentes de Lisboa, uma panóplia de informação. Aqui pode ter acesso às câmaras de trânsito, aos restaurantes, médicos, farmácias de serviço, meteorologia, espectáculos e cinemas, entre muitas outras coisas.O Portal Lisboa aposta ainda na nova web 2.0, funcionando como uma nova comunidade on-line, onde os membros do portal, após registo gratuito, podem participar em fóruns de discussão on-line, trocar mensagens entre si e falarem em tempo real no chat.





Coluna do Director

Nasceu hoje, no primeiro dia do mês de Setembro, o Portal Lisboa, novo espaço informativo sobre a capital do nosso país. Aqui vão poder consultar tudo o que interessa sobre a nossa cidade, com um especial destaque para o sector cultural, sendo que os nossos utilizadores terão acesso a todo o cartaz cultural da cidade, bem como ao que de bom se publica ao nível literário e músical no nosso país. Paralelamente, têm acesso a uma base de dados de empresas de Lisboa, onde constam todos os restaurantes, farmácias, estabelecimentos de ensino superior e muitas outras instituições.O Portal Lisboa é um projecto contemporâneo, ciente da responsabilidade de se querer afirmar na nova web 2.0. Desta forma, todo o portal viverá imenso dos seus utilizadores, desde já convidados a consultarem e colocarem classificados, participarem nas mais variadas salas do fórum, interagirem no nosso Chat e registarem-se para terem acesso a todas as funcionalidades do nosso portal, a maior comunidade virtual de Lisboa.Todo este projecto pode definir-se desta forma: tudo o que interessa sobre Lisboa num único sítio. Neste sentido, podem ter acesso à programação televisiva, às câmaras de trânsito em Lisboa, às farmácias de serviço actualizadas diariamente, às últimas notícias da nossa cidade e às mais importantes crónicas políticas. Paralelamente, o Portal Lisboa desenvolveu um sistemas de parcerias com importantes órgãos de comunicação, de âmbito nacional, o que faz com que os utilizadores do portal possam ter acesso a alguns conteúdos informativos do mesmo, actualizados diariamente.Resta-me desejar uma boa passagem pelo Portal Lisboa e aconselhar todos os utilizadores a voltarem, novas funcionalidades vão estar activas dia após dia. Tudo sobre Lisboa à distância de um clique.

Lizz Wright "Uma das mais promissoras novas vozes do ano", "um talento em ebulição" segundo o US Today

- A voz revelação da Soul e da Rhythm&Blues

Com apenas 28 anos, Lizz Wright é hoje um dos novos grandes nomes da cena jazz mundial. A sua biografia é semelhante à maioria das cantoras negras norte americanas. Nascida numa pequena cidade (Hahira - E.U.A.), segunda de três filhos, tudo começou na infância quando, com o seu irmão e a sua irmã, formou um trio gospel que actuava na igreja onde o seu pai (pastor da Holiness Church) era pianista e director artístico. Em 99, a sua voz quente chama a atenção com as suas actuações num Jazz Club. Em 2002 integra uma série de espectáculos de tributo à grande Billie Holiday. Os álbuns Salt, o primeiro, e Dreaming Wide Awake catapultaram-na para o estatuto de estrela jazz a nível mundial, sendo o veículo perfeito para Lizz dar largas ao seu talento tanto como cantora como compositora. A sua expressividade e virtuosismo não pararam de surpreender desde então, assim como não parou o seu processo de criação.

Um convite para as noites de verão!

Visite: http://www.lizzwright.net/ ou www.myspace.com/lizzwright

terça-feira, 8 de abril de 2008

Siddhartha, de Hermann Hesse


Dentro de nós, escondidos atrás dos gestos e palavras, existem sentimentos que muitas vezes não conhecemos não sabemos qual a extensão das suas raízes nem a razão da sua origem. Assim como muitos de nós, Siddartha sai à procura do seu caminho e da harmonia interior.


O autor, Hermann Hesse, nasceu em 1877, em Calw (Alemanha), filho de missionários protestantes. Cedo entra em choque com os pais, que queriam o filho pastor; não se submete à disciplina da escola e foge para a Suíça onde adquire a nacionalidade suiça em 1923.
O jovem escritor casa-se, mas continua revoltado contra o meio burguês e as convenções sociais - como se lê em Gertrud (1910). Muda-se para a Índia e conhece o budismo, que adoptaria pelo resto da vida.
Após o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, engaja-se em actividades contra o militarismo alemão. Em 1919, publica Demian, influenciado pelas ideias do psicanalista Carl G. Jung.
Sidarta é de 1922. Sem encontrar a solução para seus problemas na Índia, conta a história de sua vida em O Lobo da Estepe (1927). Em 1943, publica O Jogo das Contas de Vidro, romance utópico, situado no ano de 2200.
É considerado um dos maiores escritores deste século, igualando-se a contemporâneos ilustres como Thomas Mann e Franz Kafka. Laureado com o Prémio Nobel em 1946, as suas obras estão traduzidas em mais de 30 idiomas.

Exposição de Julião Sarmento

Trabalhos inéditos de Julião Sarmento que inauguram uma nova fase de criação. Até 3 de Maio na Cristina Guerra Contemporary Art, em Lisboa.

A novidade destas pinturas de Julião Sarmento prende-se com o facto de não utilizarem elementos figurativos, tão habituais na sua obra, mas sim manchas de cor que se relacionam com o uso da linguagem - legendas, excertos precisos de textos, escolhidos minuciosamente pelo autor. Outra novidade é o uso que faz da serigrafia - as peças apresentadas são, apesar da utilização do processo mecânico, obras únicas. A par do referido é também apresentada uma escultura - uma figura de mulher sem face (recorrente no seu trabalho) sentada numa cadeira, frente a uma mesa de grandes dimensões, e na proximidade de um espelho. S.Po. (PÚBLICO)

NUNCA É TARDE DEMAIS

O executivo multimilionário Edward Cole (Jack Nicholson) e o mecânico Carter Chambers (Morgan Freeman) vivem em mundos muito diferentes, mas, numa reviravolta do destino, os seus destinos cruzam-se. Estavam num quarto de hospital quando descobriram ter duas coisas em comum: o desejo de gastar o tempo que lhes resta a fazer tudo aquilo que sempre desejaram e a necessidade inconsciente de se aceitar tal como são. Juntos embarcam numa viagem única, tornando-se amigos e aprendendo a viver a vida no seu melhor, com sensatez e humor.


O prazer de ver juntos dois magníficos actores: JACK NICHOLSON e MORGAN FREEMAN.


"Nunca É Tarde Demais", filme de Rob Reiner
com Jack Nicholson, Morgan Freeman, Sean Hayes, Beverly Todd, Rob Morrow, MaShae Alderman, Verda Bridges e Lauren Cohn
(Estados Unidos 2007)

"Onde Vamos Morar", de José Maria Vieira Mendes, para ver em Lisboa no Convento das Mónicas


A sugestão é também a oportunidade de rever Sérgio Goidinho de regresso aos palcos (do teatro), o tema é actual e encerra a dicotomia do personagem que se interroga, vive e procura a vida no que ela encerra de descoberta dos lugares que nos cercam. De novo pais e de novo filhos: Américo é o pai, doente e solitário; Vítor, o seu filho, casado com Gabriela, que o deixa para partir em viagem. Patrícia, a irmã de Gabriela, vive na casa da infância, vazia, agora que os pais morreram. Gustavo regressou depois de vinte anos fora do país e procura uma casa onde ficar e o pai que já há muito não via. Mas encontra apenas Vânia, a sua meia-irmã, que está ainda no princípio. E por último Mário, que trabalha como estafeta para uma florista incompetente que se engana sucessivamente na morada dos clientes. Sete personagens deambulam pelas suas histórias e cruzam-se umas com as outras, numa teia irregular e esburacada que a todos une. Gente que entra e sai numa cidade onde muita coisa se esconde ou não se vê, onde as ruas ficam desertas à noite e por onde passa um comboio que não se sabe para onde vai. Desencontros, partidas e abandonos. Uma peça sobre a morte, sim, o escuro, claro, mas também sobre a distância, o regresso, o esquecimento e a procura de uma morada.

CRÍTICA DO CONTEMPORÂNEO, CONFERÊNCIAS INTERNACIONAIS - Serralves 2008


Trazer à Palavra A Política, na eventualidade “de uma leitura dos acontecimentos do nosso tempo, de um traçar de uma cartografia das tonalidades políticas, sociais e afectivas que nos governam”, e “ajudar a perceber as transformações, as inflexões e as linhas de fuga que ocorrem em vários planos da nossa realidade — é este o objectivo do primeiro módulo do Ciclo de Conferências “Crítica do Contemporâneo” 2008.
O Ciclo de Conferências “Crítica do Contemporâneo”, que decorre desde Março, traz à Palavra Os Políticos, projectivos na obra e no pensamento, gestores de incerteza na decisão e, porque capazes de análise orgânica da contingência na contingência, sujeitos da história, porventura da cultura. Sobretudo Políticos reconhecidos neste papel e conscientes do mesmo, capazes de uma reflexão crítica sobre a realidade social, cultural e política, forjada numa sólida cultura e numa praxis exigente. Os conferencistas convidados têm obra de referência, evocada, citada e discutida, onde se confronta a contingência dos acontecimentos do nosso tempo, procurando traçar uma cartografia das tonalidades afectivas, políticas e sociais que nos governam e ajudar a perceber as transformações, as inflexões e as linhas de fuga que ocorrem em vários planos da nossa realidade. Enraízam o seu pensamento nos acontecimentos do presente e na contingência do nosso tempo e definem uma actualidade.


09 ABR (Qua), 21h30FERNANDO HENRIQUE CARDOSO (Brasil)
"O mundo contemporâneo e a política nos próximos 20 anos"

30 ABR (Qua), 21h30MICHEL ROCARD (França)
"O mundo contemporâneo e a política nos próximos 20 anos"

07 MAI (Qua), 21h30FEDERICO MAYOR (Espanha)
"O mundo contemporâneo e a política nos próximos 20 anos"

ALVESS em Serralves até 20 de Abril

Manuel Alvess é um artista pouco conhecido do grande público português, que tem em Serralves a primeira apresentação antológicaa da sua obra. Afastado de Portugal desde os anos 60, este artista tem vivido em Paris onde foi acolhido e admirado por outros artistas portugueses que aí residiam, como Lourdes Castro ou René Bertholo. As suas primeiras obras são telas vazias onde o desenho aparece através do uso de fechos éclair ou da abertura de buracos no tecido. Faz performances, produz projectos mail art e inventa um conjunto de objectos de medida não funcionais, como o seu elástico e flexível “seizimètre”. A suas obras têm um carácter de intervenção crítico nas referências estruturais e de referência à vida prática. A exposição é comissariada por João Fernandes e Sandra Guimarães. A ver no Museu de Serralves até 20 de Abril.

terça-feira, 11 de março de 2008

Haruki Murakami - O convite à leitura



A obra Kafka à Beira-Mar, de Haruki Murakami narra as aventuras (e desventuras) de duas estranhas personagens, cujas vidas, correndo lado a lado ao longo do romance, acabarão por revelar-se repletas de enigmas e carregadas de mistério. São elas Kafka Tamura, que foge de casa aos 15 anos, perseguido pela sombra da negra profecia que um dia lhe foi lançada pelo pai, e de Nakata, um homem já idoso que nunca recupera de um estranho acidente de que foi vítima quando jovem, que tem dedicado boa parte da sua vida a uma causa- procurar gatos desaparecidos.

Neste romance os gatos conversam com pessoas, do céu cai peixe, um chulo faz-se acompanhar de uma prostituta que cita Hegel e uma floresta abriga soldados que não sabem o que é envelhecer desde os dias da Segunda Guerra Mundial. Assiste-se, ainda, a uma morte brutal, só que tanto a identidade da vítima, como a do assassino, permanecerão um mistério.
Trata-se, no caso, de uma clássica (e extravagante) história de demanda e, simultaneamente, de uma arrojada exploração de tabus, só possível graças ao enorme talento de um dos maiores contadores de histórias do nosso tempo.

Haruki Murakami é um dos mais populares escritores japoneses, nascido em Kyoto em 1949. Cresceu em Kobe, cidade portuária que lhe rendeu uma visão de mundo cosmopolita, um dos pilares de sua obra. A sua vida universitária foi caótica e intensa, incluindo uma participação activa nos protestos contra a guerra do Vietnam. Formou-se em dramaturgia clássica no Departamento de Literatura da Universidade de Waseda.
O seu pai era filho de um monge budista e a sua mãe vinha de uma família de comerciantes de Osaka. Ambos ensinavam literatura japonesa. Estudou literatura grega na Universidade de Waseda (Soudai), onde conheceu a sua mulher Yoko. Ainda nos tempos de juventude o seu primeiro trabalho foi numa loja de discos (exactamente como acontece com um dos personagem principais, Toru Watanabe do livro Norwegian Wood). Antes de terminar os estudos, Murakami abriu um bar de jazz "Peter Cat (Gato Pedro)" em Tóquio, que funcionou entre 1974 e 1982. Em 1986, após o enorme sucesso do seu romance "Norwegian Wood", uma história subtil, encantadora, profunda e muito sensual de um amor destinado à tragédia. Deixa o Japão para viver na Europa e América, mas regressou ao seu país em 1995. Em Portugal foram publicadas as seguintes obras: - Norwegian Wood (2004) - Sputnik, Meu Amor (2005) - Crónica do Pássaro de Corda (2006) - Kafka à Beira-Mar (2006) - Underground - O Atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa (2006).

Manuel Vilarinho e Verónica Leonor na Cooperativa Árvore

A Galeria Árvore inaugurou no passado dia 6 de Março duas exposições:
"MANUEL VILARINHO - PINTURA E DESENHO 2001/2006" e Jóias de VERÓNICA LEONOR.
Até 25 de Março de 2008.

MANUEL VILARINHO - "Manuel Vilarinho - Pintura e desenho 2001/2006" - Exposição de desenho e pintura


"(...)Agora, num momento em que a máquina já não se prefigura como sinónimo absoluto de progresso, e como que num regresso a um tempo que aposta na diversidade de experiências temporais, o que corporiza a organização das paisagens de Manuel Vilarinho é o passeio, o lento saborear do visível, embora completado pela fugacidade de quem passa de carro numa estrada e apreende, em brevíssimos instantes, as informações visuais que sobressaem da massa da paisagem natural. "

Emília Ferreira, in catálogo de exposição individual, Casa da Cerca, Almada,2006



VERÓNICA LEONOR - Exposição de jóias



"[...] A joalharia, hoje, ganhou uma dimensão imagética que ultrapassa a função formal e social a que estava presa. Liberta dos materiais ricos: Ouro, prata e pedras preciosas, democratiza-se e comunga dos tempos primordiais em que o osso, a fibra vegetal, o barro ou a pedra comum serviam o objectivo imediato de ornamentar, significar ou simbolizar.Espírito e matéria conjugam-se e o uso reinventa-se em associações inesperadas para o próprio autor.
Verónica Leonor compreendeu essa metamorfose do acto de adornar. Espírito inquieto, os seus olhos brilham diante de uma pedra de cor e brilho inesperado, seja ela preciosa ou comum. As suas mãos movem-se em movimentos finos e acariciadores quando torce um fio a que quer dar forma. Vi-a deslumbrada e ávida de conhecimento, perante jóias marroquinas, turcas, indianas. Ansiosa em descobrir os mistérios que determinaram a sua existência, dos ritos e rituais em que se envolveram. [...]"

Excerto de texto de Luísa Gonçalves, in catálogo da exposição, Árvore, 2008